Larga do meu pé! Não puxa.
Então, vamos.
Nunca. Nem morto.
Não resiste. Não adianta.
Por que eu?
Porque tá na tua hora.
Espera! Vamos negociar.
Ah, ah! Onde já se viu isto: negociar com a Morte?
Eu sou acostumado a negociar. Sempre fiz boas alianças.
Comigo não tem aliança, nem negociação. Tá na hora e pronto!
Mas conheço tanta história de gente que voltou; foi até o túnel e voltou.
Não é negociação. É merecimento. Ou engano.
Quê!? Tá dizendo que a Morte pode errar o chamado?
Não erra, se engana. Mas sempre se corrige a tempo. Já vocês, por aqui, erram muito e nunca se corrigem.
Então, podes estar enganada. Meu cunhado se parece muito comigo; mora ao lado; fuma muito e vive doente. É ele.
Não me enganei, não. Aquele ainda tem utilidade por aqui. Vai mais tarde.
E eu? Por acaso sou inútil?
Chega! Para de ser cagão. Vou te levar para um lugar agitado e quente…
Quente? Não. Não quero.
E por que não? Passaste a vida fugindo do clima frio do sul. Vais encontrar muitos conhecidos lá.
Ah, é? Amigos?
Humm… Companheiros, aliados. Entende, né?
Entendo. Campanha, caixa dois, conchavos. Bons companheiros! Pode até ser divertido.
Isso! Então, vamos.
Para! Só mais uma pergunta: como as coisas funcionam por lá?
Muito quente. Meio esculhambado. E sem conchavos.
Muita gente?
É um local de passagem. Estada meio rápida. Lá é tudo fera. E todos querem a mesma coisa. O maior come o menor, até que chega um maior que ele, e assim por diante.
E depois?
Volta.
Para cá?
Claro. Volta pobre e doente. Já nasce na fila do SUS. O Velho lá em cima se diverte. É o game preferido Dele: Fucking you now.
Imagem gerada por I.A.
