A palavra complica muito.
Antônio Maria
Foi um encontro carnal.
A emoção tornou desnecessária qualquer palavra.
Nossos olhos brilharam num diálogo de luz.
E os corpos exalaram odores de desejo.
Bebi dos teus lábios na querência de mantê-los calados.
Nossos gemidos desconexos diziam tudo.
Entoavam letras embaralhadas de canções de amor.
Dedilhamos nossos corpos formando letras gregas e arabescos de sedução.
Pernas entrelaçadas nas cruzadas do amor.
A temperatura de nossos corpos era um inflamado discurso em defesa da paixão.
Sensações que dispensavam promessas.
E quantas vezes voltaste com jeito de quero mais!
Meu peito arfava sempre que sim.
Calados e sem qualquer emoção
Teus olhos fugidios desencontrando dos meus.
Teu corpo exalando as tuas dúvidas.
Teus gestos denunciando a tua pressa.
Meus lábios cerrados, grunhidos que falam de dor.
Tua mão tatuada em meu rosto.
O desenlace de tudo
Num discurso amargo e hostil.
Levantas com ímpeto de quem já vai.
Bates a porta com a força de quem dá adeus.
Ao sair, me deixaste no escuro.
Mas ainda brilham em mim faíscas das palavras mal ditas.
Publicado em Maria volta ao bar, Ed.Buqui, 2014.
Foto do arquivo pessoal.
