O mundo governado por homens está cheio de guerras, onde são abatidos rapazes inocentes de todos os lados.
Nossos jovens cheios de futuro são feitos de escudos para velhos cheios de passado. Vemos, frequentemente, nos filmes americanos – que são os que mais retratam suas guerras -, pais orgulhosos por seus filhos partirem e, se preciso, morrerem pela Pátria. Enquanto isso, ficam as mães chorosas rezando para que os devolvam com vida, ainda que faltando um pedaço. Se fosse dada a oportunidade, mulheres escolheriam guerrear em lugar de seus filhos. Lugar de jovem não é no front, é na universidade.
Se o mundo fosse governado por mulheres, não haveria guerra, pois mulheres gostam de uma DR (discutir a relação, para quem não sabe), enquanto que os homens gostam de resolver tudo no grito ou pior do que isso. Com certeza, governantes mulheres se sentariam à mesa de negociações e só se levantariam após achar um caminho que não passasse por nenhum tipo de violência. Por serem naturalmente maternais e empáticas, não colocariam filhos de outras mães em situação de risco, assim como protegeriam os seus.
Mas o mundo é desgovernado por eles, velhas raposas, seres covardes, arrogantes e gananciosos. As guerras são sempre por mais poder, seja político ou religioso. Sacrifiquem-se homens por mais terra. Homens se reproduzem e terras são finitas. Esse é o pensamento mesquinho que levou às batalhas mais sangrentas da história. E, ao final, mais mulheres viúvas e órfãs de filhos, com seus corações endurecidos e sangrantes.
Nem posso imaginar o desespero de ver um filho saindo para enfrentar uma guerra insana e alheia. Como se não fosse o bastante a luta diária com que se defrontam na vida privada. No Brasil, por exemplo, vive-se em permanente tática de sobrevivência. É necessário driblar o frio, a fome, o desemprego, a violência, o preconceito, as drogas e a má política. E, se for negro, ainda tem que encarar o racismo e a invisibilidade social.
Nossos garotos saem de casa alegres e cheios de sonhos. E, logo ali, são abatidos pela guerra das gangues, pelos agentes da lei, pela bala perdida, por usar tênis de marca ou um celular velho. Ainda, pela guerra do trânsito. Filhos que saem para estudar, trabalhar, se divertir, viver, e são devolvidos às suas mães como corpos inertes, (con)decorados com sangue. Então, resta a elas chorarem seus meninos, presas fáceis da luta urbana.
No mundo dos homens há guerra em todo o lugar. O instrumento toca sempre a mesma nota: Ratá-ta ta tá!
Inspirado na música Era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones, de Mauro Lusini e Franco Migliacci.
Imagem gerada por I.A.
