Quem, eu?

Muito se fala em empatia nesses tempos de abusos e julgamentos. Mas sempre fica a dúvida: quem tem empatia de fato? Quem é realmente capaz de calçar o sapato alheio? Empatia é muito mais do que uma palavra da moda. É viver, ainda que por um momento apenas, a dor do outro. Se eu estivesse no lugar dele, como reagiria?

 

Imagine-se frente a frente com a pessoa que assassinou alguém que você amava e pense, com sinceridade, o que faria. Partiria para cima? Ou aguardaria que fosse julgado? Sabendo que talvez fosse condenado, talvez cumprisse um terço de uma pena ridícula e, provavelmente,  logo voltasse ao convívio social. Não avançava nele? Ok. Porque entende que ele deve ter um julgamento justo? Ou porque não quer terminar seus dias no xadrez?

 

Imagine-se desempregado. Aluguel a vencer, filhos andando com tênis furado em dia de chuva, comida escassa, gás acabando. Um dos meninos com dor de dente. Você, com um cartaz na sinaleira, pedindo ajuda. A maioria dos motoristas nem olha na sua cara. Portas e corações trancados. Parada, aguardando para cruzar a rua, uma idosa com a bolsa aberta e umas notas jogadas dentro. Você espia; percebe que é muito fácil retirar duas notas sem que ela perceba. Calcula mentalmente: o remédio para aliviar a dor do seu menino e um botijão de gás. Você pegaria? Não? Porque sabe que faria falta para aquela senhora? Ou porque poderia ser descoberto?

 

Empatia não tem nada a ver com certo e errado. Ser empático é isto: compreender o que o outro sente e porque age de tal forma. Imaginar o que faria no lugar dele. Você já conseguiu, de verdade,  olhar a vida com os olhos de outro? Ou procura o caminho mais fácil de olhar para o lado e não ver nem mesmo o que está diante dos seus?

 

E se fosse você a sentir atração por alguém do mesmo sexo? E se fosse você esperando um filho que nunca desejou e que iria mudar seu futuro de modo radical?

 

E se fosse você apaixonado pela namorada do melhor amigo? E se fosse você fazendo corpo mole no trabalho porque teve uma noite horrivel? Quantas vezes já teve que fazer escolhas difíceis e conviver com  julgamentos de terceiros?

 

São muitas as questões pessoais de cada um. Todas com seus motivos e soluções. Se você não consegue se colocar no lugar do outro, de peito aberto, se empatia e solidariedade forem palavras e nada mais, nunca vai compreender as nuances da vida. Estará condenado a uma existência medíocre, linear e chata para sempre. Porque ser empático faz parte da dinâmica da evolução espiritual. É, portanto, um benefício para ambos e não uma concessão ao outro.

 

 

 

Imagem gerada por I.A.

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