Lua de mel em Veneza

Dois jovens apaixonados e cheios de planos.

 

Formatura, casamento, viagem de núpcias.

 

Trabalho extra e muita economia para a realização dos sonhos.

 

Colação de grau no início do ano, casamento em maio — mês das noivas — e, a seguir, lua de mel em Veneza.

 

Tudo planejado em detalhes. 

 

Um hotelzinho romântico com vista para a Lagoa. 

 

Passeios pelas pontes de Rialto e Suspiros.

 

Incursões poéticas  pelos charmosos becos e ruelas de arquitetura única.

 

Visita às ilhas de Murano e Burano.

 

E o tão sonhado passeio de gôndola pelos canais da cidade ao pôr do sol.

 

Mas o sonho foi atropelado por um pesadelo.

 

O mês de maio, em 2024,  não foi o mês das noivas.

 

Nem o mês das mães.

 

Foi o mês da enchente.

 

Ao invés do hotelzinho com vista para a Lagoa, a vista angustiante das águas subindo até alcançarem o segundo pavimento das casas do bairro.

 

Ao invés das caminhadas pelas pontes e becos de Veneza, notícias de pontes desabando e ruas e bairros desaparecendo por inteiro.

 

Sem Rialto e Suspiros. Só suspiros e lágrimas.

 

Ao invés de visitar Murano e Burano, rezar pelos habitantes das ilhas da Pintada e dos Marinheiros.

 

Ao invés de passeios de gôndola, passeios de barco, resgatando flagelados e seus pertences, levando água, alimento e conforto.

 

Não houve casamento.

 

Nem lua de mel em Veneza.

 

Ao invés de festa, luto.

 

Ao invés de viagem, reconstrução.

 

 

 

Texto inspirado na foto acima, de Jane Cassol.

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