E agora, Zuzu?*

 

A festa acabou,

 

o dia rodou

 

a lua surgiu

 

a noite esfriou

 

E agora, Zuzu?

 

E agora, você?

 

você que é valente

 

que acha que aguenta

 

você que discursa

 

que grita, protesta?

 

e agora, Zuzu?

 

Está sem amor

 

está sem palavras

 

está sem razão

 

até pode beber

 

até pode chorar

 

fugir já não pode

 

a noite esfriou

 

o dia que veio

 

não trouxe a resposta

 

o riso não veio

 

não veio esperança

 

e tudo estancou

 

e tudo ruiu

 

e tudo mudou

 

E agora, Zuzu?

 

E agora, Zuzu?

 

Sua doce coragem

 

seu instante de fé

 

sua fome de vida

 

sua sede de amor

 

seu arquivo de sonhos

 

sua casa de vidro

 

sua ingerência

 

em tudo – e agora?

 

Com a chave na mão

 

vai abrindo portas

 

onde existem paredes

 

quer amar de novo

 

o choro acabou

 

quer ir para longe

 

Mas, longe é aqui

 

Zuzu, e agora?

 

Se você se gritasse

 

se você perdesse

 

se você dançasse

 

a valsa da despedida

 

se você desistisse

 

se você cansasse

 

se você se entregasse…

 

Mas você não se entrega

 

você é dura, Zuzu!

 

Sozinha no mundo

 

a se lamentar

 

sem seu amor

 

de ombro forte

 

para se encostar,

 

sem fantasias

 

para lhe guiar,

 

você marcha, Zuzu!

 

Zuzu, para onde?

 

 

 

*Parodiando E agora, José?, de Carlos Drummond de Andrade.

 

Imagem gerada por I.A.

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