Amor e regras

O amor, o sexo e até mesmo a perversão têm sido os mesmos por gerações. Eles mudam conforme a localização geográfica e a época. Os tempos atuais, por exemplo, não admitem mais nenhum tipo de preconceito em relação ao amor. Seja o amor entre homens maduros e mulheres jovens, ou vice-versa. Seja o amor entre dois homens ou entre duas mulheres. Há muito, a sociedade já admite casamento entre parentes e contraparentes. Casamentos a três ou a quatro já são mostrados livremente nas telas de televisão e cinema. Aprovado recentemente o casamento entre pessoas do mesmo sexo ainda causa polêmica, mas é fato.

 

Na contramão desta moderna sociedade vem a Igreja, ou melhor, as religiões, que condenam qualquer relação de amor e sexo que não seja o padrão preconizado ha milênios: um homem e uma mulher em uma união estável e monogâmica, com o propósito de procriar. Para justificar este posicionamento estático e antigo, recorrem à Bíblia. Mas a história da criação também tem seus deslizes. A começar pelo tal pecado original. Deus criou o homem a sua imagem e semelhança e depois criou a mulher de uma costela do infeliz. Pecaram e perderam o direito à vida mansa. Expulsos do paraíso, fizeram muito sexo e muitos filhos. Os filhos transaram entre si e assim foram povoando o mundão de Deus.

 

Mas, como assim? Bacanal fora do Éden pode?

 

Essa história nos foi contada por homens crentes. Existe, entretanto, outra mais natural. A da evolução do homem, ao invés da criação. Nessa as criaturas da Terra desconhecem regras e seguem seus instintos. No reino animal nunca houve discriminação com qualquer tipo de relacionamento. Macho com macho, fêmea com fêmea, tudo é permitido. Um macho e varias fêmeas; uma fêmea e vários machos. Pais com filhos. Irmãos, primos e até mesmo famílias compostas por espécies diferentes.

 

Nas giradas que o mundo dá, as regras vão e vêm. O hoje passa, dando lugar ao ante-ontem travestido de amanhã, ainda que amanhã seja outro dia.

 

Você aí, com cara de bobo, no meio de tanta celeuma, o que acha disto tudo? Como você ensinou o seu filho? Do mesmo modo que seus avós ensinaram seus pais? Não acha que temos perdido muito tempo preocupados em fazer e seguir regras, deixando de lado o cultivo dos sentimentos?

 

Nosso mundo carece de amor e solidariedade imediatos. Muito mais vale o amor sem regras do que tantas regras sem amor.

 

 

 

Imagem gerada por I.A.

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