A humanidade, além de atacar os animais de grande porte, por medo, ou por se alimentar deles, ainda destrói os pequenos, mesmo quando não oferecem perigo. Insetos, por exemplo, estão sendo extinguidos a rodo pelo uso indiscriminado de pesticidas. Tanto os insetos do bem quanto os do mal, se é que assim podemos classificá-los. Pequenos répteis e anfíbios também. A maior parte até tem medo de se aproximar dos seres humanos, mas é vista por gente ignorante como um perigo a ser exterminado. Muitas vezes, por quem se diz amante dos animais. Um amor restrito à chamada fofofauna, termo usado por biólogos para definir os animais que são afofados por todos. São os chamados animais domésticos, ou domesticados, bichinhos de estimação, como gatos, cachorros, hamsters e pintinhos (até virarem comida). Também são amados e afofados os cavalos de aras (nunca os que puxam carroça) e pássaros (desde que engaiolados), e por aí vai. Vemos isso todos os dias em todas as partes.
Contou-me uma amiga que a vizinha do andar de cima está criando caso por causa de um grupo de insetos, que parecem ser abelhas e que estão se fixando sobre a porta de entrada do prédio. Exige que a administração tome providências, que seria o extermínio, óbvio. Tendo estudado com cuidado os animais em voga, a filha da minha amiga, que é bióloga, concluiu que se trata de um tipo sem ferrão e que não fazem mal a ninguém. Além disso, são de suma importância na polinização, razão pela qual é crime ambiental fazer mal a elas. Não satisfeita com as explicações da moça, a mulher insiste na retirada porque enfeia o prédio. Parece que nunca se incomodou com as baratas gigantes nas garagens do subsolo, que volta e meia saem a passear pelo entorno.
Enfim, o problema todo se resume na falta interesse pelas espécies menos fofas. Aquilo que não conhecemos não dominamos. E o que não dominamos assusta. Cada espécie tem sua função e deve ser respeitada em seu habitat ou fora dele. Não custa muito se informar para aprender que nem todos os animais nos atacam, nem todos nos fazem mal. Não precisamos, ou melhor, não devemos sair matando tudo que é ser vivo que consideramos inferior. Deixemos os bichinhos viverem em paz.
Texto inspirado na imagem acima, da fotógrafa Silvia Dornelles.
