Aprendi na escola que a família é a célula mater da sociedade. É dentro dela que se aprende a conviver, tolerar, se expressar, dividir, respeitar, e todos os comportamentos que serão repetidos socialmente, fora de casa. Espelhamos o que vivemos no nosso lar, pelo menos no primeiro momento. Quando começamos a participar de outras células sociais, vamos absorvendo novas visões de mundo e reproduzindo outros comportamentos.
A família é fundamental na nossa formação, mas não é a única fonte de conhecimento e exemplo de vida. Felizmente, porque existem muitos lares bem disfuncionais. Mesmo onde há muito amor, pode haver falhas. A superproteção tende a ser tão prejudicial quanto o abandono. Quando saímos do casulo, percebemos a existência de outros núcleos familiares, profissionais e culturais. Daí começa um novo aprendizado, com misto de prazer e dor.
Já adultos, conseguimos olhar nossa primeira célula com olhos críticos. Com gratidão, mas também com reconhecimento do que não foi bom e não queremos repetir. Aquilo que vivemos dentro de casa vai nos acompanhar para sempre. Vamos, entretanto, no convívio com os outros, nos suprindo de novos conteúdos, sentimentos e regras de conduta, que complementam o que já temos na bagagem.
Sem dúvida, o amor e o apoio de familiares durante nossa jornada é importante para acreditarmos em nossas capacidades. Difícil um jovem acreditar em si mesmo quando quem diz amá-lo não acredita e não apoia. Não é impossível. É difícil. O jovem precisa ser muito seguro, tem que acreditar em dobro. Em alguns casos, substituindo o descrédito da família pelo reconhecimento de amigos, colegas ou professores.
Entretanto, famílias disfuncionais também podem surpreender positivamente. Às vezes, se unem em defesa de um membro que esteja fragilizado, mostrando que a força do amor é maior do que qualquer diferença ou dificuldade de relacionamento. Assim é no filme Little Miss Sunshine. Uma história emocionante, contada com leveza e bom humor, que trata justamente dessa questão. Uma família inteira unida para realizar o sonho de um membro. Passando dificuldades materiais e emocionais, driblando as questões de cada um, na busca de realizar o sonho da menina, que passa a ser sonho coletivo. Trata-se de um momento especial, quando o grupo envolve o mais frágil, como se o trouxesse de volta para o casulo, proporcionando conforto e segurança.
É uma coisa bonita de se ver no filme e na vida real.
Texto inspirado no cartaz do filme.
